A boa música sacra também é oração

 

O Coro da Catedral está a comemorar sete anos de existência. Fundado em finais de 2003, este novel coro funchalense tem vindo a produzir um repertório de crescente qualidade artística, com música sacra cantada a quatro vozes, quase toda inédita, da autoria do maestro João Victor Costa.
O Coro da Catedral do Funchal foi criado por um grupo de amigos da música sacra imbuídos no espírito do voluntariado e de colaboração com a igreja, tendo por referência principal a Sé. O gosto por este e outros géneros musicais fez com que o grupo avançasse para a criação de estatutos de modo a dar uma dimensão oficial em consonância com os seus propósitos.

 

SEDE NO BOM JESUS
Ser voluntário na área do canto tem uma "força maior", ou seja, "um gostar da música sacra, sem limites de tempo nos ensaios, da participação na liturgia, e de assumir livremente uma responsabilidade que advém da qualidade a expressar-se em cada actuação", afirma Benvinda Carvalho, vice-presidente do Coro da Catedral e um dos elementos fundadores do grupo.

A primeira sede do Coro da Catedral foi na rua Latino Coelho donde transitou para a rua do Bom Jesus (com entrada pela rua da Conceição), cujas instalações pertencem à Diocese do Funchal. Na presidência da direcção está Luís Filipe Costa Neves, na vice-presidência, Benvinda Carvalho e como secretárias estão Maria José Paulino e Isabel Abreu. Como tesoureiro, Maurício Freitas e na presidência da assembleia-geral, João Carlos Abreu. Neste momento, o coro é composto por quatro naipes, num total de 43 coralistas, sob a direcção do maestro Victor Costa coadjuvado pelas professoras Benvinda Carvalho e Lídia Chagas.

 

MÚSICA DE QUALIDADE
"Não procuramos louros pelo que fazemos de forma voluntária e os nossos cânticos estão em sintonia com a solenidade do acto litúrgico de cada dia", revela Benvinda Carvalho. "As actuações na Sé obedecem a uma calendarização e programação previamente definidas, embora estejamos sempre disponíveis para outras actuações que nos sejam solicitadas". Para além da Sé, onde em média o grupo regista 12 a 13 actuações por ano, o Coro da Catedral Funchal tem actuando noutras igrejas e participado em eventos como nos "Encontros de Coros" realizados em Santana, Calheta e Santa Cruz, nas festas natalícias nalgumas igrejas (Colégio, Carmo, Socorro, Monte, São Vicente e noutras), bem como em lares de terceira idade e em eventos no anfiteatro do Jardim Municipal.
Em todo o seu repertório, há a preocupação de nivelar por cima o índice de cada actuação. "Primamos pela qualidade da música sacra", sublinha Benvinda Carvalho. O maestro João Victor Costa, destacada personalidade da música, com um currículo notável, um dos maiores tenores portugueses da sua geração, com carreira internacional, tem a preocupação de compor "peças" inéditas adaptadas aos coralistas de cada coro.
Para além da música litúrgica, o Coro da Catedral também executa outros géneros musicais "privilegiando a música tradicional madeirense como forma de promover o nosso património cultural", afirma Benvinda Carvalho.

 

CAUSAS NOBRES
Os coralistas são oriundos das mais diversas áreas sócio-culturais e profissionais, desde jovens aos menos jovens, e todos estão identificados com o projecto de voluntariado do grupo. Em qualquer altura do ano novos elementos podem ingressar no coro, cujos ensaios decorrem às segundas e quartas-feiras, entre as 18.30 e 21 horas. "Participar no Coro da Catedral é abraçar a uma causa nobre". Há os que já têm conhecimento de música como os que tomam contacto pela primeira vez. Mas para com todos "as portas estão abertas".
Quando estamos no findar da primeira década do século XXI e as mutações por toda as hierarquias da sociedade acontecem a um ritmo vertiginoso, como analisar a música sacra neste mundo novo que está todos os dias a surgir e a surpreender? "A música sacra e os cânticos litúrgicos nunca estão fora de moda nem nunca vão estar", observa Benvinda Carvalho. "Penso, inclusive, que quanto mais avança a sociedade, com mais ou menos evolução, mais a música sacra é ouvida com muita atenção por parte das pessoas de todas as idades. Repare que nós vamos actuar à Sé, com o templo cheio. Refira-se que as músicas são apropriadas ao acto litúrgico de cada dia, "uma ligação mais a Deus", observa Benvinda Carvalho, salientando que "a boa música sacra também é oração, quem canta reza duas vezes ". In JM (Dezembro 2010)

publicado por corocatedraldofunchal às 15:45